domingo, 3 de julho de 2016

O muro de Berlim dentro de mim

        Tem uma música dos Engenheiros do Hawaii que se chama Alívio Imediato e um dos trechos diz assim:
"Há um muro de concreto entre nossos lábios 
Há um muro de Berlin dentro de mim 
Tudo se divide todos se separam 
A diferença é o que temos em comum"
       Essa canção fala sobre um problema político da época em que foi composta, e eu? Eu gostava bastante das aulas História! Uma pena que não me dediquei muito à elas (adolescentes...), mas se eu pudesse certamente voltaria àquelas aulas porque tive uma professora incrível, a Beth, o tipo de professora que te faz gostar da matéria. Contava histórias como ninguém! Pois então... a Alemanha é o país onde aconteceram as histórias mais marcantes, pelo menos pra mim. Uma das coisas que mais me chocaram e que sempre despertou a minha curiosidade é o holocausto, o nazismo, as grandes guerras. Eu olho pra trás e vejo o quanto as pessoas podem ser cruéis. Vejo que o preconceito tão discutido nos dias de hoje através das redes sociais não é algo novo e já matou milhões de pessoas no mundo.
     Desde sempre as pessoas tem se colocado em "categorias" que separam os supostamente diferentes e unem os supostamente iguais.
Ricos e pobres.
Brancos e negros.
Orientais e ocidentais.
Capitalistas e socialistas.
Eu e você.
       Eu passei esse tempo todo da minha vida morando em uma cidade do interior. Não tinha cinema na cidade e eu sempre fui apaixonada por filmes. Irônico isso, não? Apesar dessa paixão pelo cinema eu nunca tive a oportunidade de fazer um curso de inglês e isso, pra mim, era um grande muro que me separava dos meus sonhos. Eu queria estudar cinema! Eu gostaria de conhecer aqueles lindos lugares que eu via nos filmes, mas não me via conseguindo realizar isso pela falta do inglês. Bem, se eu ainda morasse lá, até hoje não teria feito o curso de inglês! Ainda bem que isso mudou...
     Um dia me cansei daquela mesmice. Eu me sentia um peixe preso em um pequeno aquário de frente para o oceano... querendo estar no imenso oceano. Livre. Fazendo grandes descobertas. Vivendo diversas aventuras.
     Assim que a oportunidade surgiu eu fiz o concurso, passei e saí da cidadezinha do interior. (Leia sobre essa mudança aqui, aqui e aqui) Eu estava agora em São José dos Campos, uma cidade movida pelas empresas que miram o universo, que fazem aviões e foguetes, que olham pra cima, para o céu, o limite, como dizem por aí...
No meio de tanta tecnologia, eu percebi que esse muro que havia dentro de mim (e fora criado por mim), separando aquela menina do interior do resto do mundo precisava cair. Assim como o muro de Berlim. Eu comecei a derrubar o muro que havia dentro de mim...
       Agora nada mais parece impossível. Não existe mais nenhum muro que me separe do resto do mundo. Eu sinto que posso ir para qualquer lugar e quem me ajudou a ver isso e quebrar o último pedacinho desse muro foi um amigo alemão. Sim, eu conheci alguém que mora do outro lado do oceano, em um outro país, em um outro continente, com um outro fuso horário, outro idioma, outra cultura.
      Escolhi parar de olhar as diferenças e focar no que temos em comum. Decidi transformar os muros em pontes. Muros são prisões. Pontes são o caminho da liberdade.

Esse texto terá continuação...

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